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Sonhar mais um Sonho Impossivel

FROM FOLHA DE SÃO PAULO NEWSPAPER

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luliradfahrer/2013/05/1272179-sonha...

 

 

Muito antes de a tecnologia de ponta ser o sonho de qualquer empreendedor­modelo­e­atriz, ela era coisa de militares. As fronteiras distantes

pertenciam às coroas e aos governos capazes de bancar as gigantescas empreitadas de conquistá­ las. 

O resultado foi uma pasmaceira que, por preguiça, muitos chamam de capitalismo, comunismo ou qualquer definição reducionista usada por

quem não se contentava com o estado das coisas mas tinha preguiça de mudá­las. Como só havia uma força capaz de promover a mudança,

esta só acontecia com guerras, crises ou revoluções.

É nesse aspecto que os prêmios de estímulo são importantes. Criados por associações independentes, eles atribuem somas consideráveis em

dinheiro a quem promove o progresso. Fama e dinheiro, afinal, apelam para os impulsos primitivos dos corações mais nobres.

Mais do que filantropia, esse tipo de prêmio é um investimento. Ao estimular a competição, ele agrega talentos em laboratórios de pesquisa

cujo custo superaria em muitas vezes o valor premiado.

O conceito existe desde 1714, quando ingleses colocaram a ideia em prática para calcular a longitude. Em 1919, o empresário francês

Raymond Orteig propôs US$ 25 mil para o primeiro voo sem escalas entre Nova York e Paris. O prêmio estimulou nove equipes a fazer em

conjunto um investimento 16 vezes maior. O vencedor, Charles Lindbergh, mudou a história da aviação.

Ao contrário do Nobel e de outros Oscars da ciência, o incentivo não é posterior nem submetido a comitês ou a critérios subjetivos.

O desafio é claro, e a conquista, palpável. Nos últimos anos, a facilidade de acesso à tecnologia e a crise mundial aumentaram a sua popularidade.

O X Prize é o mais audacioso. Criado pelo empreendedor Peter Diamandis, ele oferece prêmios volumosos às equipes que

construírem projetos dignos de ficção: foguetes pequenos, precisos e econômicos; formas eficientes de limpar o óleo no oceano;

dispositivos portáteis de diagnóstico médico, entre outros.

O resultado é rápido: vencedora de um X Prize, a companhia aérea Virgin desenvolveu a primeira rota comercial que leva pessoas comuns à estratosfera,

até então domínio de aviadores em ônibus espaciais. Depois de dois dias de treinamento e avaliação física, quatro passageiros e dois pilotos

voarão a 30 mil pés de altura, chegando a uma velocidade quatro vezes superior à do som. Ainda nesta década.

Na mesma linha, o Google Lunar X Prize dará US$ 20 milhões à primeira equipe que colocar um robô na Lua capaz de andar mais de 500 metros e

transmitir vídeo de alta definição a partir de lá.

A competição envolve equipes de países como Estados Unidos, Canadá, Itália, Holanda, Rússia, Índia, Romênia, Chile e Brasil.

Nossa equipe, a SpaceMETA, é liderada pelo genial Sérgio Cabral Cavalcanti, pesquisador da UFRJ e responsável por uma incubadora em Petrópolis.

Entre outras ideias, ela pretende usar etanol como combustível do foguete. 

Não se pode chegar ao futuro reclamando nas redes sociais. Serviços de crowdfunding e prêmios de incentivo estimulam o debate, inspirando novos

inventores a romper a incabível prisão, voar num limite improvável e até, quem sabe, tocar o inacessível chão. É inspirador.

Luli Radfahrer é professor­doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP há 19 anos.

Trabalha com internet desde 1994 e já foi diretor de algumas das maiores agências de publicidade do país.

Hoje é consultor em inovação digital, com clientes no Brasil, EUA, Europa e Oriente Médio.

Autor do livro "Enciclopédia da Nuvem"em que analisa 550 ferramentas e serviços digitais para empresas.

Mantém o blog www.luli.com.br, em que discute e analisa as principais tendências da tecnologia.

Escreve a cada duas semanas na versão impressa de "Tec" e no site da Folha.

 

 

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